terça-feira, 24 de novembro de 2009



Estava decidido. Falaria tudo, cada detalhe, todo pormenor. Depois iria fugir, comprar uma passagem para alguma cidadezinha do Paraná. Quanto tempo ou como me agüentaria por lá não importava. O importante era que enquanto eu me retirasse dessa história, houvesse alguém procurando por ele aqui. De preferência a polícia. Que jamais o pegaria, mesmo tendo que manuseá-los várias vezes. O problema é que embora eu fale pouco, tudo o que digo é difícil. Pequenos crimes na cidade natal são casuais. Apanhar da polícia é natural. A escrivã me olhou por cima dos óculos, a correntinha de imitação perolada tremulando suas pulsações de têmpora assustada com os relatos. Eram cerca de seis horas da manhã e minha maquiagem deslizava as horas da noite passada e as da madrugada pesada. De pé, ao balcão da delegacia, eu tentava falar devagar, ditar ritmo às batidas no teclado, mas a mulherona me interrompia com o mexer dos lábios e nariz, num muxoxo de tique e eu perdia o fio das idéias, o tempo das sensações, dos acontecimentos, fatos.


Prossiga, ela encorajava imperativa, ansiando pelo fim não por curiosidade, mas por pressa.


Não sei o que disse, sei que o resultado do trabalho da escrivã da Polícia do Estado de São Paulo foi o que se segue:


Perguntei se eu podia ler aquela primeira página que era cuspida do equipamento barulhento, uma impressora. Possivelmente cansada de trabalhar, a senhora de seus 42, 45 anos me tratava mal. Fosse com os gestos rudes, fosse com a evidente birra em me doar a compaixão que sua profissão exigia. É como encontrar enfermeiros frios, dentistas porcos. Enfim, minha pergunta foi motivo pra que perguntasse o que eu fazia (novamente, já que perguntara no início da papelada), e quando a resposta de que era tradutora formada, superior completo, anota aí, e que não era sempre que me envolvia com esse tipo de coisa, saiu... ela se adiantou e me estendeu a folha com força e um pedaço do que eu chamaria de confiança, se estivesse otimista, mas ao contrário, prossegui afundada em pessimismo e tristeza.



Me interrompeu com um sinal do dedo indicador, um bufo de boca, um hálito de café. Seus dois olhos não confiavam em mim, mas algo naquela mulher cansada me dava uma esmola de ajuda, agarrei com olhos implorantes. Seus parágrafos são muito longos, sua ordem não tem ordem, sentenciou. Engoli e pedi desculpas, limpei o rímel, as mãos trêmulas, o cigarro faltando, pedi que me desse água, por favor. Para continuar eu precisava de água, ela precisava de paciência e um pouco mais de habilidade.






Pontuou algumas últimas palavras, ignorou minha oferta de revisar aquele relato e chamou um Sr. Qualquer Coisa, ou algo assim, para que providenciasse uma viatura e levasse a senhorita (eu) fosse lá pra onde ela desejasse ir, que se vá com deus e ponto final.

Na viatura, Sr. Qualquer Coisa me pediu para seguir viagem quieta, onde mesmo era a porra da zona norte? Era minha culpa as obras da marginal, a incumbência, a chuva, a mulher que engravidara de novo, e era minha culpa que ele não pudesse ser gentil porque além de tudo, a lei o obrigava a tratá-la como um lixo. Traficantezinha de merda. Olha o mundo em que o filho ia nascer, num mundo podre, podre. Me empurrou pra fora do carro, marginal Tietê, rodoviária do Tietê. De alguma forma ele sabia que podia me ofender e humilhar – aquela era a última vez que eu denunciaria um policial em São Paulo.

sábado, 14 de novembro de 2009


desconhecidos

quarta-feira, 11 de novembro de 2009


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

dos universos dos prazeres, o palatal.

melhor que putaria. que rede. que jogo. que conforto.
dos meus pecados capitais, nem a ira misturada à luxúria - que me tenta muito - supera a gula.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009



eu gosto dessa tradução.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

eu não sei usar o scanner muito bem, é verdade.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O neurótico constrói um castelo no ar, o psicótico mora nele
e o psiquiatra cobra o aluguel.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

i have smoked some poetry.
thats why.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

everything must go
na solidão, meus pensamentos por si só se corroem. na multidão, eles são corroídos. não posso escrever, não consigo voar, deixei de beber. só penso em dinheiro, em água... ano ímpar, de incerteza. penso também em praticar um esporte. só penso.